Pimentinha. Esse era o apelido que, dado por Vinícius de Moraes, ficou famoso e representava muito bem a personalidade dela, Elis Regina. Intensa, forte e batalhadora – uma mulher que ia além do próprio tempo. Para entender a singularidade da cantora, basta ler sua biografia: o destaque não está em seu corpo ou seus amantes. A voz, a atitude, a força de uma mulher que é considerada até hoje a maior cantora brasileira de todos os tempos.

Elis era baixinha – tinha pouco mais de um metro e meio. Nasceu no Rio Grande do Sul, e começou sua carreira ainda cedo. Aos 11 anos cantava numa rádio em Porto Alegre e aos 16 lançou o seu primeiro disco. Precoce, com apenas 18 anos mudou-se para o Rio de Janeiro. Dois anos depois ganhou o 1º Festival de Música Brasileira da TV Excelsior. Junto com o prêmio, veio o reconhecimento e assim sua carreira começava a despontar.

Em suas apresentações, Elis mostrava uma força e intensidade peculiares. Era como se, nos minutos em que estivesse cantando, vivesse cada palavra de suas canções. Lançou compositores, fez parcerias memoráveis e gravou CD’s ímpares. Um deles, Elis&Tom. O dueto entre os dois grandes nomes da Bossa transformou-se em um clássico para os amantes da música popular brasileira. Outro dueto que deu certo foi com Jair Rodrigues. Primeiro gravaram o LP Dois na Bossa. Depois foram convidados para apresentar, na TV Record, O Fino da Bossa.

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Elis casou-se duas vezes. No primeiro casamento, com Ronaldo Bôscoli, teve um filho – João Marcelo Bôscoli. A união durou cinco anos. O segundo casamento foi com César Mariano, músico que trabalhava em parceria com a cantora. Os dois ficaram juntos por sete anos e tiveram dois filhos, Pedro Mariano e Maria Rita, ambos cantores, como a mãe.

Em entrevista ao especial realizado pela revista Época, um dos músicos da banda de Elis conta uma história inusitada: certa vez, cansada e sem conseguir um táxi, Elis resolve ir de ônibus (que estava lotado, a propósito). Para assistir ao relato clique aqui.

Em quase duas décadas de carreira, Elis cantou o amor, a vida, a saudade. Mas ficou especialmente marcada por ter cantado músicas contrárias à ditadura. Além de Como nossos pais, O Bêbado e o Equilibrista foi a canção mais marcante, tornando-se quase um hino da resistência.

Em seu último show, da turnê “Trem Azul”, recitou o texto que se tornou quase uma “profecia mórbida”. Na década de 1980, a dois meses de fazer 37 anos, Elis foi encontrada morta em sua casa, vítima de uma mistura fatal entre cocaína e álcool. Sua morte chocou o país que viu sua diva dos palcos desfalecer vítima de um vício fatal.

“Agora o braço não é mais o braço erguido num grito de gol.
Agora o braço é uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante.
E todas as figuras são assim: desenhos de luz, agrupamento de pontos, de partículas, um quadro de impulsos, um processamento de sinais.
E assim – dizem – recontam a vida.
Agora retiram de mim a cobertura de carne, escorrem todo o sangue, afinam os ossos em fios luminosos – e aí estou, pelo salão, pelas casas, pelas cidades, parecida comigo.
Um rascunho.
Uma forma nebulosa, feita de luz e sombra.
Como uma estrela.
Agora eu sou uma estrela.”

(Texto: Fernando Faro)

Até hoje, 30 anos depois da sua morte, Elis é aclamada, consagrada e vista como a maior cantora brasileira. Sua voz, seu talento e sua performance no palco permanecem insuperáveis, e ela continua a inspirar novos e antigos talentos dos quatro cantos do Brasil.

Conheça também a história de outras mulheres que marcaram o século: Coco Chanel, Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Carmen Miranda, Oprah Winfrey, Amelia e Grace Kelly.

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