Você poderia imaginar como é viver sendo observado, seguido, vigiado, sempre em evidência, sendo julgado a cada passo e decisão? Esta se tornou a vida de Lady Di, a futura princesa Diana, mulher mais fotografada e explorada pela mídia nos anos 1980 e 1990. Ela não sabia, mas sua vida jamais seria a mesma desde o anúncio do noivado com o príncipe Charles, em fevereiro de 1981.

De uma linhagem aristocrata, Diana era parte de uma das famílias mais tradicionais e ligadas à família real. Apesar disso, cresceu aparentando não se adequar aos ambientes em que crescera. Seus pais se divorciaram quando ela ainda era uma garota, o que provocou marcas profundas que a acompanhariam por toda a vida. “Quando você é filha de pais separados, acaba desejando muito mais formar uma família feliz, e se esforçando bastante para que isso aconteça”, ela afirmaria anos mais tarde.

Quando jovem, Diana trabalhou como garçonete e babá. Era tímida e buscava encontrar o seu caminho, que acreditava estar relacionado a uma vida dedicada a ajudar pessoas que estavam marginalizadas pela sociedade. Neste período, o príncipe Charles acabara de terminar seu relacionamento com a irmã de Diana, e estava sendo pressionado a encontrar uma boa esposa e assegurar a linhagem do trono. Diana parecia ser a candidata ideal – não era católica, vinha de uma família de sangue azul, era virgem e tinha uma vida longe da agitada noite de Londres. Pouco tempo depois os dois já eram vistos juntos e o noivado não tardou a ser anunciado.

Diana, apesar de feliz e envolvida com o príncipe, tinha desconfianças da fidelidade do companheiro.  Camila Parker, primeira namorada de Charles, ainda era amiga do príncipe, e os dois por vezes davam sinais de que o romance não tinha ficado inteiramente no passado. Mas o noivado foi adiante, e se transformou no casamento que parou a Inglaterra.  Aos 20 anos, Diana casa-se com Charles, tornando-se “Sua Alteza Real, A Princesa de Gales”. A cerimônia foi transmitida para cerca de 22 milhões de pessoas.

Charles, 12 anos mais velho, era o primeiro na linha da sucessão do trono. Um ano depois nascia o príncipe William de Gales. Segundo Diana, foi um “alívio” descobrir que um herdeiro tinha nascido. Em 1984 nasceria Harry de Gales, o segundo filho do casal. A esta altura o casamento real já estava gradualmente se deteriorando. Charles já não passava tanto tempo com a esposa, e era visto na companhia de Camila Parker, alimentando boatos de uma traição. Diana dedicava-se a causas humanitárias e, em tempos que se acreditava que a AIDS era transmissível ao simples toque, ela foi a primeira celebridade a sentar-se numa cama de um aidético, e tocar o seu corpo. Ela também lutou contra o terror das minas terrestres, que fazem vítimas em tantos lugares do mundo.

Logo a agenda do casal era distinta, com viagens e compromissos separados. Diana era desejada e adorada pela mídia, muito mais do que o marido. Certa vez, declarou que sempre se perguntava o motivo de ser tão perseguida pelos tabloides, que estampavam diariamente o seu rosto: “depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que aquilo vendia, e o dinheiro era tudo o que importava”, afirmou.

Em 1992 o casal separava-se, mas a anulação do casamento só aconteceria quatro anos mais tarde. Enquanto isso, os dois dividiam a guarda dos filhos, Diana não era mais “Sua Alteza Real”, e vivia sozinha no Palácio de Kensington. Mas estes não eram motivos suficientes para que a mídia perdesse o seu interesse por ela – muito pelo contrário. Lady Di continuava a estampar jornais e revistas de todo o mundo, e era vista como a “Princesa do Povo”, amada, idolatrada e admirada por milhões ao redor do mundo. Se ela gostava da exposição? “Isso só atrai a inveja de outras pessoas”, acreditava.

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A história que tinha atraído milhões de pessoas ainda reservava mais uma surpresa. Em 1997, Diana deixava o Ritz, luxuoso hotel parisiense, na companhia do atual namorado, Dodi Al-Fayed, milionário egípcio. No carro onde estavam, o motorista e o guarda-costas acompanhavam o casal. Perseguido por paparazzi, o veículo continuou, cada vez mais rápido, até chocar-se em um dos pilares de um túnel. O motorista e Dodi morreram imediatamente, e Diana e o segurança foram levados, ainda com vida, para o hospital. Para choque do mundo que acordaria na manhã seguinte estupefato ao ler as manchetes, Lady Di não resistiu aos ferimentos, falecendo no hospital. O guarda-costas, meses depois teria alta, mas não se lembrando de nada da noite fatídica.

Comprovando sua popularidade, a morte de Diana causou uma enorme comoção, não apenas na Inglaterra, mas em todos os cantos do mundo. Milhões choraram o trágico fim da mulher doce e gentil, que suportara um difícil casamento, uma vida explorada pelos jornais, e ainda tinha forças para ajudar os mais desafortunados. Em seu velório, Elton John cantou a adaptação da canção “Candle in the Wind”, emocionando os milhões que assistiam à cerimônia.

O pai de Dodi, Mohamed Al-Fayed, levantou as suspeitas de que aquele tinha sido muito mais do que um simples acidente: tudo fora encomendado, para que Diana não se casasse com um muçulmano, que seria o sogro do futuro rei da Inglaterra, William de Gales. As investigações oficiais, feitas pelas autoridades francesas e inglesas, concluíram que o acidente teria sido causado pela imprudência do motorista, que estaria alcoolizado. Assim, era fechado o capítulo final da vida de Diana. Al-Fayed não desistiu, e chegou até a financiar um documentário que refutava a versão original.

O príncipe Charles, ex-marido da Lady Di, casou-se em 2005 com Camila Parker-Bowles, a ex-namorada, amante e agora esposa. Em 2011, o príncipe William, filho de Charles e Diana, casou-se com Kate Middleton, plebeia e agora Duquesa de Cambridge, atraindo novamente a atenção da mídia, que não tardou a fazer comparações da moça com a falecida mãe do príncipe. Sem dúvidas, Diana foi uma mulher marcante, que terá lugar privilegiado não apenas na história da realeza da Inglaterra, inspirando e vivendo através das memórias que a sua morte não conseguiu apagar.

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